O Carnaval e Suas Mudanças

Que época boa! Para os brasileiros que não gostam nem um pouco de feriado, festa, farra… Me lembro dos carnavais da minha infância quando eu ainda morava em Recife – PE. A brincadeira era se fantasiar de bailarina, pedrita, havaiana, palhaça, etc. Para os meninos as melhores fantasias eram as do super-heróis (Homem-Aranha, Batman, entre outros), ou mesmo a tradicional fantasia de pirata, por exemplo. Nesta época eu tinha uns 8 ou 9 anos, era meado da década de 90 (93, 94) por aí… A maior diversão se fazia com água limpa mesmo. Nós queríamos ganhar as pistolas de água para molhar todos na rua. Se não pudéssemos comprar, fazíamos em casa com cano de tubulação mesmo! De vários tamanhos! Nossa! Como foi divertida essa época! Saíamos todos arrumados com as nossas fantasias de carnaval e sempre voltávamos pra casa todos molhados, descabelados.

Poucos anos se passaram e a brincadeira tinha virado de mau gosto. Ninguém usava mais água limpa, agora a moda era sujar as pessoas com lama mesmo! Sem falar dos ovos crus ou enterrados até ficarem podres… Lembro que tínhamos que andar nos ônibus com as janelas fechadas porque os meninos nas ruas jogavam ovos e jatoradas de lama em todos! Se nossos pais pedissem para a gente comprar qualquer coisa no bairro (tipo pão) era o fim! Sair no bairro sem o responsável ao lado: a perseguição dos colegas para nos sujar de lama ou estourar ovos em nossas cabeças era certa! A lembrança mais trágica foi numa dessas perseguições, dia chuvoso, em que os meninos me encurralaram numa poça de lama e eu não tinha escolha: ou tomava jatorada de lama com as pistolas feitas de canos ou me jogava na poça. Triste lembrança! Como eu chorei nesse dia! A partir daí o carnaval foi perdendo o ar de “brincar”.

Pulo na lama

Só pra constar: não sou eu!

Na adolescência eu já morava no RJ, mas passava as férias de fim-de-ano e o carnaval em Recife com a família. Como as minhas primas eram maiores de idade, minha mãe deixava eu curtir o carnaval com elas. Fomos muito à Olinda subir e descer ladeiras dançando Frevo, ao Galo da Madrugada no Recife Antigo, e na beira da praia em plena Avenida Boa Viagem atrás dos trios elétricos da Ivete Sangalo. Muito bom! Porém, novamente tudo ficou de mau gosto em 2 ou 3 anos. Curtir essas festas agora tinha a enorme preocupação com assaltos, bêbados aos montes, além dos meninos assanhados, que se a gente não ficasse esperta, roubavam beijos na boca a força! Que saco isso! Um monte de trogloditas com bafo de cerveja vir me agarrar a força pra me beijar??!! Tomava uma joelhada no saco logo!!

Galo da Madrugada

O imponente Galo da madrugada.

Já no século XXI não tive mais condições de ficar viajando e passo os carnavais no Rio. Até hoje não me acostumei. Eu não odeio samba, mas não consigo ficar horas no sambódromo ouvindo praticamente a mesma coisa em todos os desfiles durante horas!!! Prefiro o axé da Ivete, mas agora só se for no camarote porque não encaro a muvuca mais!! Diferente de Recife, a Baixada Fluminense quase não tem blocos de carnaval. No centro do Rio ou na Zona Sul sim. Lá em Pernambuco qualquer bairro tem festa, tanto no carnaval quanto no São João! Aí, pra curtir aqui no Rio temos que fazer uma viagem que acaba saindo cara pela distância, valor das passagens, etc. Aliás, ainda pretendo escrever com muita indignação sobre a facada que o morador da Baixada paga nos transportes públicos! Aliado a isso tudo contamos com maiores preocupações de assaltos, bêbados, brigas e a violência em geral que piora com o passar dos anos. E quando um político ou outro tenta fazer algo, normalmente seus capangas colocam um enorme som (com muita potência, porém pouca qualidade) numa praça por exemplo, mas não tem outro jeito: tudo acaba em funk! Aí não dá! Funk não é carnaval e nem São João, pois isso acontece nas festas Juninas, Julhinas, Agostinas e Setembrinas também!

Porcaria

Carnaval na Baixada é uma porcaria!

Enfim, como as coisas mudaram e para pior, infelizmente! Preferia àquela brincadeira inocente de molhar todos com água limpa, quando os adultos podiam levar suas crianças aos blocos de carnaval sem maiores preocupações. Antes era brincadeira, diversão. Hoje é promiscuidade, violência. Época perfeita para espalhar a AIDS no Brasil! Este também será um novo texto a escrever, sobre DSTs, HIV, etc. Atualmente a informação é maior, mas não faz nem cócegas se compararmos com o monte de tolices que a mídia propaga diariamente, entre outros. Pra terminar, peço que troquem comigo suas lembranças e opiniões antigas e novas. Assim, conheço os carnavais de outras épocas e regiões também.

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