O Rock e a Discriminação – Parte 2

Esta é a continuação do texto O Rock e a Discriminação. Caso ainda não o tenha feito, leia!

Outra constante reclamação do “roqueiro” é a de ser obrigado a ouvir os ritmos populares, principalmente o Pagode e o Funk aqui no Rio. Realmente ouvir algo que não gostamos contra a vontade é revoltante, pois as pessoas daqui gostam de mostrar ao mundo sua desafinação e seu som potente, seja de casa ou do celular. Os carros então? Mais parecem trios-elétricos, possuindo uma aparelhagem sonora mais cara que o próprio veículo. Lembro-me da época em que o alvo principal dessas reclamações era a Banda Calypso. Era a banda mais popular, sobretudo por haver aqui uma grande concentração de nordestinos. Cheguei a ver uma comunidade completamente absurda no Orkut de nome “Kiko Loureiro versus Chimbinha”. Kiko é um dos guitarristas da banda brasileira Angra, que toca Heavy Metal em inglês. O cara é um dos mais aclamados instrumentistas do Brasil e do mundo. Amado e odiado, como qualquer pessoa pública, mas de qualidade e talento indiscutíveis. No outro “córner” Chimbinha, guitarrista da Banda Calypso, mestre da chamada guitarrada de Belém do Pará, cheio de swing e ritmo. Pessoal, não há como compará-los. São estilos completamente diferentes. Assim como Chimbinha não executaria com tamanha perfeição e rapidez os solos do Angra, Kiko não tocaria com a mesma ginga e timbre as músicas do Calypso. Então, zero a zero! Com certeza essa comunidade é preconceituosa e seu dono é “roqueiro”, pois os “roqueiros” põem o gosto pessoal na frente, e não conseguem admitir a qualidade de artistas de outros estilos, ou nem têm sensibilidade para saber o que é bom.

Comunidade Kiko loureiro versus Chimbinha

Achou que eu tava zoando?

Ainda sobre o Calypso, o produtor Carlos Miranda, do programa Qual É o Seu Talento do SBT, produziu o especial Estúdio Coca-Cola (que faz uniões de grupos completamente diferentes, como Marcelo D2 e Lenine, Fresno e Chitãozinho & Xororó, entre outros…) com a Banda Calypso e Os Paralamas do Sucesso. No primeiro momento, ele achou que haveria um duelo entre Chimbinha e Herbert Vianna, afinal os dois são “Guitar Heroes” e, como artistas consagrados, fariam uma batalha de egos. O que aconteceu foi exatamente o contrário: Eles completaram um ao outro, e as duas bandas fizeram um breve casamento. Inusitado, porém bonito e agradável. Miranda e Herbert ainda disseram que Chimbinha era o Mark Knopfler de Belém. Mark é o excelente guitarrista da banda Dire Straits, que tem com maior sucesso a música Sultans of Swing, um desafio e tanto para qualquer guitarrista que tenta tocar igual, pois Mark não usa palheta. Acredito que a maioria dos “roqueiros” não concordou com a colocação dos dois, por despeito e discriminação ao Calypso.


Já que eu não fui demitido, concluirei no próximo post.

Valeu, rapêize!

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Sobre Sebastian Saleh

Um cara desiludido por acontecerem e não acontecerem algumas coisas em sua vida. Às vezes sai algo relevante de sua mente!
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6 respostas para O Rock e a Discriminação – Parte 2

  1. Erick Patrick disse:

    Belo ponto levantado, Sebastian… Infelizmente, os “rockeiros” de hoje querem ser, como chamam por aqui pelo Piauí, de tr00s… Só escutam rock e rock e metal e metal… Ficam abitolados com isso e qualquer pessoa que diga que gosta da dupla rock/metal e diga que escuta pagode ou axé é dito traidor, poser ou qualquer coisa do tipo…

    Fico indignado com esse tipo de posição já que eles esquecem que música é gosto pessoal, há quem goste de metal e funk carioca! Há quem goste de música clássica e trance! E por aí vai… Nada haver ridicularizar os outros porque simplesmente vão contra seus gostos e principios…

    Muito bom o post, estou a espera da continuação o/ Abraço!

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  2. Sebastian Saleh disse:

    É, meu caro Erick. Esse foi um dos motivos de eu ter excluído meu Orkut, pois é o site que mais tem comunidades preconceituosas e lixo propriamente dito, afinal é pública e qualquer bossal tem uma comunidade. A maior traição é não ser você mesmo e não seguir seus gostos e vontades. Qualquer um tem o direito de expor seus gostos, mas não é necessário ser apelativo e agressivo para tal, como está na descrição da comunidade acima. A conclusão desse artigo virá em breve! Obrigado mais uma vez!

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  3. TULIO FUZATO disse:

    Quem é profissa na Musica não enfrenta essas barreiras.
    Eu toco Blues e AMO CLASSIC ROCK, mas já tokei na night!!!
    Pagode, samba, axé e forró …… GOSTO PESSOAL É UMA COISA, PRECONCEITO É OUTRA!!!
    é burro quem vai fazer um TÓPICO comparando Chimbinha com Kiko Loureiro. isso é coisa de Orkut porque em muito casos a chacota está na frente.
    abçs: Tulio

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  4. Sebastian Saleh disse:

    Prazer te “conhecer” e obrigado pelo post! Você é um exemplo para todos, músicos ou não. Um exemplo de vida!
    http://www.tuliofuzato.com.br
    tuliofuzato.blogspot.com

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  5. Pingback: O Rock e a Discriminação – Final « Juca's Blog

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