O Rock e a Discriminação

É muito difícil comentar sobre qualquer assunto sem ser pessoal. Mais difícil ainda é lidar com os gostos pessoais de cada indivíduo. Porém, perante isso, acho válidas as justificativas com fundamentos, e não discriminação pura e simples, por influências alheias, para manter um status ou pose, ou ainda para não ser alvo de chacotas. Sendo assim, a discriminação gera mais discriminação, sem exceções e num âmbito geral de temas e fatos.

Deixando o pseudo-moralismo de lado, é bem raro aquele cidadão que se diz “roqueiro” admitir ouvir outros ritmos e estilos musicais. É ainda mais raro não haver discriminação àquele que expõe seus gostos “extra-roqueiros”. Geralmente o “roqueiro” só admite (a si e aos outros) gostar de rock nacional e olhe lá. Aliás, o próprio rock feito aqui já é discriminado. Muitos preferem ouvir e cantarolar, mesmo sem entender nada, canções internacionais.

Traçar uma comparação entre o rock brazuca e o gringo não é fácil, até porque uma boa parte dos artistas daqui são influenciados por consagrados grupos e cantores de fora. O fato é que uma gama de “roqueiros” reverencia os Beatles mas não gosta do chamado Iê, Iê, Iê, ou Jovem Guarda, feita no mesmo período (anos 60 e 70) por Roberto Carlos, Eduardo e Sylvinha Araújo, The Fevers, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys, Erasmo Carlos, etc. Isso é contraditório, afinal as versões são fiéis tanto em termos instrumentais quanto em letra. A questão de gostar ou não é de cada um, pois há muitos fatores que nos fazem ouvir ou não determinados tipos de música, como não gostar de versões, dos cantores, dos instrumentistas, ou simplesmente ignorar o que é nacional (com exceção do Sepultura, que canta em inglês e é pesado, por isso é quase unanimidade entre os roqueiros daqui), mas pelo menos deve haver um respeito, já que isso foi o início do rock aqui no Brasil.

Muitos adolescentes que ingressam no rock escutando Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Raimundos, etc., passam a ignorar tanto essas bandas como quem não as ouve. Há uma “hierarquia” que põe no limbo os que gostam de rock nacional e bandas como Bon Jovi, Evanescence, Guns N’ Roses e Simple Plan, entre outras. São os famosos “Maria vai com as outras”, que ouvem o que os outros ouvem e não têm personalidade.

Desde os primórdios há os termos pejorativos e taxativos para cada estilo: Os que gostam de Hard Rock (Guns, Van Halen, Aerosmith…) são os “farofeiros”; os que curtem Grunge (Alice In Chains, Mudhoney, Pearl Jam…) são os “chuta-lixo”; os Emos (não sei exemplificar pois quem é emo diz que não é…) são “depressivos” e “afeminados”, e etc. Só no rock é que temos essas subdivisões. Não reclamo disso, pois demonstra a diversidade e criatividade do gênero. O que me chateia é uns se acharem mais “roqueiros” que outros. Ora! O rock é um só! Por que os emos são menos “roqueiros” que os metaleiros? E o que faz o punk ter mais “atitude” que o grunge? Nunca vi brigas entre fãs do Sorriso Maroto e Exaltasamba! E nem do fã-clube do MC Créu com o do Latino!

Nenhum desses subgrupos de rock é bem quisto pela sociedade em geral (o que também não é grande coisa). Todavia, os “roqueiros” não ligam ou fingem não esquentar a cabeça com isso. E nem têm o direito de se queixar, pois é o grupo que mais se discrimina internamente, e culturalmente não se mistura com a sociedade, sendo contra tudo e todos, até contra eles mesmos. Literalmente, rebeldes sem causa. É muito fácil encontrar pagodeiros, funkeiros, forrozeiros, pessoal do axé, sertanejos, MPB e Pop de FM que ouvem alguma coisa de rock e não têm vergonha ou medo de admitir. Em contraponto, é praticamente impossível um “roqueiro” reconhecer que ouve outros ritmos. Eles não se permitem ouvir ou admitir.

Até breve! Se eu não for demitido depois disso!

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Sobre Sebastian Saleh

Um cara desiludido por acontecerem e não acontecerem algumas coisas em sua vida. Às vezes sai algo relevante de sua mente!
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14 respostas para O Rock e a Discriminação

  1. Erick Patrick disse:

    Eu, particularmente, sou metaleiro, não me considero simplesment rockeiro. Curto metal desde os meus 12 anos e vou chegar aos meus 22 nesse fevereiro próximo. Já fui bem no estilo de rockeiro ao qual costumo chamr de tr00 de forma pejorativa, já que entre eles, eles consideram essa alcunha de forma positiva.

    Porém, percebi que o bom é a música boa que me faz bem, feliz e relaxar, seja ela qual for. Espero sinceramente que muitos cheguem perto desse raio de iluminação que tive… É um bem para todos!

    Continue com posts assim e continuarei lendo! Só traga imagens, acho que fica legal :D Mas é só uma dica/conselho :P

    Abraço o/

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    • Sebastian Saleh disse:

      Dicas são sempre bem-vindas! Obrigado! Com certeza ilustraremos mais nossas “crônicas”! Parabéns por ter chegado a essa filosofia de vida. É isso o que eu tentei expor aqui, sem discriminar ou dizer que os roqueiros são ralé ou algo assim. Tudo que eu disse é o que acontece aqui no meu bairro, e pode ser que em outras regiões seja diferente. O importante é que cada um de nós se sinta bem e feliz com o que somos e gostamos, como você e eu. Valeu mesmo e desculpe a demora da resposta! Um forte abraço!

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      • Erick Patrick disse:

        Pois é, o importante é sempre buscar as músicas que nos fazem bem!

        E relaxe quanto à demora… Já passei por isso inúmeras vezes e o que importa é que você respondeu!

        Então, abraços, continue trazendo posts e sucesso o/

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  2. Pacheco disse:

    Ouço Rock desde os meus, sei lah, 4 anos…..
    Os discos do Ultraje a Rigor, Lulu Santos (do meu pai), Beatles, Guns, Metallica (primos), enfim….

    A partir de certo momento comeceu a ouvir todo vertente de rock, desde o “farofa” até o Metal extremo…
    Mas como ja foi dito, tem que ouvir de tudo mesmo, mas tudo que gosta, o que nao implica ser necessariamente rock…..

    Conheço sim, roqueiros que admintem ouvir Tom Jobim, por exemplo…..
    Dai foda-se se outros roqueiros nao gostem….

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    • Sebastian Saleh disse:

      Assino embaixo! Durante muito tempo, vivi em função do que os outros pensavam e gostavam. Não tinha personalidade nem opinião própria. O grande salto para mim foi quendo eu realmente me interessei pela música e pelo violão. Não sou instrumentista, mas gosto de ouvir de tudo para criar a minha nuance de tocar, coisa que eu acho mais importante do que técnica e virtuosismo. Enfim, f…-se se os OUTROS não gostem disso! Valeu a força, Pachecão! E um abraço pro Pachequinho!

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  3. Sebastian Saleh disse:

    Pessoal, só um pequeno lembrete: pode ser que eu demore um pouco para responder aos comentários. É porque eu não tenho PC (aceito doações…). Contudo, não deixarei de responder a todos, sem excessão! Outra coisa: Por conta dessa falta de “recursos” (isso é temporário!), meu Twitter que consta no meu perfil não é atualizado sempre. Mas eu acesso sempre este nosso portal e também ao meu email – sebastiansaleh@hotmail.com. Portanto, ninguém será ignorado, ok?! É isso! Até!

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  4. Mano Chevy disse:

    É dificil rotular, eu gosto de musica boa.
    Mas se eu fosse me rotular eu seria rockeiro bem hard, pois eu me amarro num Hard Rock!!!!!!!!!

    Tipo: Deep Purple, Whitesnakes, Guns, etc.

    Mas isso num me impede de gostar de bossa, blues, country, new wave, metal, punk, grunge!

    Então pra mim é meio que sem rotulos!!!!!!

    Um abraço,
    Mano Chevy 500

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  5. ignorar o Rock nacional é besteira…temos muito como ignorar outros tipos de musicas… não precisamos gostar do estilo para poder gostar da musica. eu confesso que já fui um Rockeiro extremista mas com a idade e por tocar em banda aprendi a gostar da musica em geral… costumava a não gostar de Rock com teclados…depois q acompanhei um amigo (ele no teclado e eu na guitarra) comecei a perder o preconceito por esses tipos de musicas, o que falta é tentar conhecer, gostar de uma banda ou outra é difícil (eu admito odeio Gun’s), como muitos não gostam de bandas que curto… tá, cada um gosta do que quer e como gosto, religião, futebol não se discute(ou não deveriam se discutidos mas sim respeitados),
    Questão Emo…letras emotivas sempre existiram e nunca deixaram de existir não só no Rock mas em outras, bandas como The cure, Bon Jovi, Legião Urbana e inúmeras bandas exploram emoções sem suas canções e a pergunta que fica você é EMOcinado? eu sou!!! me emociono de estar em show de uma banda que gosto, de esperar um novo álbum , quem é que não não já se pegando contando uma musica Do Roberto carlos???

    uma braço, e parabéns pelo Post!!!! que Alá nós proteja !!!

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  6. Sebastian Saleh disse:

    É o bom e velho preconceito que não nos deixa conhecer algo novo. E não é fácil sermos respeitados por aquilo que gostamos ou somos. Parabéns por ter aberto seus horizontes e valeu pela moral! Concordo contigo em tudo isso aí. Um forte abraço! Maa Salame! (Sem duplo sentido!)

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  7. Pingback: O Rock e a Discriminação – Parte 2 « Juca's Blog

  8. Pingback: O Rock e a Discriminação – Final « Juca's Blog

  9. wedson disse:

    Oi! Tudo bem? Eu adoro o rocke, e também adoro andar vestido de rockeiro, muitas vezes fui discriminado, já ouvi muita gente dizer que todo rockeiro é veado, isso não tem o menor sentido. Mas o ROCKEIRO é muito discriminado, mas também é respeitado. Eu adoro o rocke!

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